Nasci em Porto Alegre. Fui criado em Canoas, morando a maior parte da minha infância no Bairro Niterói. Velho Niterói. Para quem não conhece, é como São Paulo e Guarulhos. Coladinho. Na minha infância, tive pouca influência artística A única lembrança musical que tenho desta época é de um violão Gianinni azul, que ficava guardado sob a cama de um tio meu e lembro que foram poucas as oportunidades de chegar perto dele mas a sensação era ótima de bater aquelas cordas e ouvir aquele barulhinho. É claro que mexer nas cravelhas dele era tri legal. Meu pai conhece alguns acordes, mas nunca tocou violão. Nem mesmo meu tio (me perdoa Tio). Na parte de minha mãe, o pai dela, meu falecido avô João da Silva, foi violeiro e dos bons. Na década de 40 e 50, quando Canoas ainda era mato na sua maioria, meu avô corria os bailes e festas da época com seu violão "Rei dos Violões" acompanhado de alguns amigos, especialmente do Sr Gomes, que vai aparecer nesta história outra vez mais adiante. Apesar de ouvir depoimentos sobre o talento do meu avô, nunca ouvi uma nota sua, nem mesmo o conheci, pois ele faleceu cedo- vítima de um trágico acidente.
E foi por aí. Nunca tive contato direto com um instrumentista ou cantor, por isso não me fazia falta. Inclusive meu irmão, na época um guri de 7 ou 8 anos, não sei por que razão pediu um violão de natal para meus pais. E no natal chegou o violão dele. Ah, ele não sabia nada e claro, nem eu. Meu pai... só alguns acordes. E eu, entrando na adolescência (com uns 12 anos) tinha outras coisas que me atraiam mais como por exemplo gastar tempo gravando do rádio os sucessos da hora pra ouvir no meu Toshiba Mouse. Hum, você não sabe o que é Toshiba Mouse? Nada a ver com laptop gente... O violão virou enfeite de parede.
Durante este tempo eu sempre ouvi muita música, em casa, nos meus vizinhos que escutavam Milionário e José Rico a todo o volume, o rádio do carro (um motorola que era uma raridade), e nas reuniões dançantes. Ouvia techno, house, Eric Clapton, Ramones, Chitãozinho e Xororó, Leandro e Leonardo, Kleiton e Kleidir, César Passarinho e outros.
No início da adolescência comecei a ter um contato mais direto com a música pois fui levado por uma amiga para cantar no Coral da Igreja Episcopal, Paróquia São Lucas. Nossa, eu era contralto o que me constrangia pois era o único homem do coral com voz de menina hahaha. Mas ainda era quase uma criança. Foram tempos sensacionais. As vozes fechando como acordes, o volume do conjunto, a regente com seu órgão, era maravilhoso.
Continua amanhã. Um beijo. Marcelo